Revista EXAME -
O lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento criou a expectativa no país de que o setor de infra-estrutura poderia, enfim, entrar na relação de prioridades nacionais. Um ano após o início dos trabalhos, porém, o maior projeto do atual governo passa por um período crítico. O cronograma de boa parte das obras vem sofrendo atrasos em razão da burocracia e dos entraves ambientais. A reportagem do Anuário EXAME de Infra-Estrutura acompanhou o andamento dos trabalhos de dez grandes projetos previstos para ser finalizados entre 2008 e 2009. Nada menos do que oito deles não serão mais entregues no prazo, a despeito das previsões otimistas do governo. Com a crise financeira global, surge um novo problema no horizonte: a escassez de crédito no mercado, sem o qual fica muito mais difícil colocar de pé grandes obras, como hidrelétricas, ferrovias e aeroportos. Na reportagem principal deste anuário, um estudo exclusivo da Fundação Dom Cabral, de Belo Horizonte, mostra que a falta de dinheiro pode se transformar, a partir de agora, no principal obstáculo à entrega das 30 obras mais importantes do PAC.
Não se trata, evidentemente, de uma boa notícia para o país. A infra-estrutura precária foi nos últimos anos, é hoje e - caso as coisas não mudem - continuará a ser no futuro um obstáculo ao crescimento sustentável do Brasil. Desobstruir as artérias - burocráticas, ambientais e ideológicas - do setor pode ser mais do que uma necessidade. Pode ser uma oportunidade de preparar o Brasil para dias melhores e para receber investimentos à procura de economias estáveis, promissoras e bem organizadas.
Mas, apesar das dificuldades recentes do PAC, o setor de infra-estrutura tem a comemorar alguns avanços desde o último ano. Setores como o ferroviário começam a sair de uma estagnação de décadas graças a uma série de novos investimentos. Na área de geração de energia, depois de uma longa novela, obras fundamentais, como as hidrelétricas do rio Madeira, no Tocantins, começaram a ganhar forma. A cobertura de saneamento básico também vem aumentando no país, com impactos positivos nos indicadores econômicos e sociais dos municípios beneficiados. A lista deste anuário com o total de obras em projeto ou em construção é outro indicador de que as coisas no Brasil começam a se movimentar nessa área. Na relação, constam mais de 900 obras, número recorde entre as cinco edições já publicadas. Essas boas notícias, porém, não devem apagar o fato de que, no campo da infra-estrutura, o trabalho a fazer no país ainda mal começou.