Revista EXAME -
Não faz muito tempo, o Brasil lutava para alcançar a auto-suficiência na produção de petróleo. De um ano para cá, o panorama mudou completamente. Não somente esse objetivo foi atingido como também o país foi alçado à condição de potencial grande exportador graças à descoberta de petróleo na camada do pré-sal, anunciada em novembro de 2007. A área de 800 quilômetros de extensão - do sul do Espírito Santo ao norte de Santa Catarina - por 200 quilômetros de largura pode guardar até 80 bilhões de barris de petróleo, volume equivalente ao das reservas da Venezuela. Parte desse potencial foi confirmada no final de novembro com a descoberta de reservas de 1,5 a 2 bilhões de barris de petróleo do tipo leve (de melhor qualidade) no litoral do Espírito Santo.
O clima de euforia com a descoberta do pré-sal, no entanto, recebeu uma ducha de água fria nos últimos meses com o agravamento da crise financeira mundial. A piora do ambiente econômico a partir de setembro fez a Petrobras adiar para o final do ano a divulgação de seu programa de investimentos. Previsto para ser implementado no período de 2009 a 2013, o plano estratégico da Petrobras, incluindo aportes para a exploração de petróleo do pré-sal, deverá ter seu prazo de implantação estendido para 2020. O maior problema agora é a falta de crédito no mercado, e isso deve afetar fortemente a exploração do pré-sal, que depende de financiamentos por exigir investimentos vultosos que darão retorno só no longo prazo.
Embora ninguém saiba ao certo quanto petróleo há de fato no pré-sal e quanto poderá ser retirado de maneira economicamente viável, alguns analistas apostam que a produção do país poderá atingir 5,5 milhões de barris de óleo por dia em pouco mais de dez anos - três vezes mais do que o montante atual extraído pelo Brasil. Além de petróleo, o pré-sal parece conter quantidades generosas de gás. Especialistas estimam algo em torno de 100 milhões de metros cúbicos de gás por dia na bacia de Santos, o que permitiria ao Brasil se tornar auto-suficiente e até mesmo um exportador desse combustível, livrando-se da dependência da Bolívia nessa área.
As discussões sobre como explorar tamanha riqueza rapidamente dominaram os debates. O governo Lula vem contribuindo para trazer insegurança aos investidores ao acenar com uma possível reestatização do setor, com a criação de uma nova estatal exclusivamente para gerir os recursos do pré-sal. Para alguns especialistas, seria um retrocesso para o país, iniciando uma nova era de incertezas.