Revista EXAME -
BANCOS
A farra foi maior por aqui
O promotor nova-iorquino Andrew Cuomo, que investiga a distribuição de 4 bilhões de dólares em bônus pelo quebrado Merrill Lynch, pode se surpreender quando analisar a folha de pagamentos do banco americano no Brasil. O bônus pago aos executivos brasileiros ficou entre os maiores do banco no mundo. Houve gente ganhando cerca de 10 milhões de dólares. Em 2008, o Merrill Lynch contratou um time de executivos com estrelas como
Alexandre Bettamio (hoje presidente do banco), Hans Lin, do UBS Pactual, e Adriano Borges, do Credit Suisse. Para trazer a turma, o Merrill teve de oferecer um bônus fixo, nos mesmos (altos) padrões do atípico ano de 2007. O mercado virou e os bônus diminuíram no mundo inteiro, menos para quem tinha garantido o seu. Cuomo já avisou que quer pegar o dinheiro todo de volta.
AVIAÇÃO
Problemas para encher o tanque
A Gol Linhas Aéreas já foi um exemplo de empresa eficiente. Chegou a ser uma das mais rentáveis do mundo no setor e se firmou como uma das maiores companhias aéreas do continente. Mas, desde o ano passado, vem sendo atingida por uma série de problemas. O valor de suas ações caiu mais de 70%, a aquisição da Varig trouxe consigo uma série de problemas operacionais e a empresa da família Constantino viu os lucros se transformar em prejuízos. No final de 2008, em mais uma demonstração de dificuldades, o não-pagamento do combustível dos aviões gerou uma dívida de 110 milhões de reais com a BR Distribuidora. Sem crédito, a Gol teve de pagar à vista pelo querosene para abastecer seus jatos por um curto período. Graças a uma negociação conduzida diretamente pelo presidente da Gol, Constantino Júnior, com o presidente da BR, José Eduardo Dutra, o débito foi renegociado. No início do mês, a empresa quitou a última das duas parcelas de 55 milhões de reais. A dívida foi provocada pela queda no faturamento, sintoma imediato da diminuição no número de passageiros, e por compromissos assumidos com a compra da Varig. A Gol informa que está com todos os seus pagamentos em dia.
IMÓVEIS
Sem crise, Brasília terá bairro de luxo
O mercado imobiliário foi um dos que mais sentiram a crise financeira nos últimos meses. A redução do crédito e a ameaça de demissões, que reduziu o nível de confiança do consumidor, fizeram as vendas de casas e apartamentos declinar. Mas, mesmo em meio a esse cenário, o setor de construção civil de Brasília está eufórico. No fim de janeiro foram leiloados os primeiros 53 lotes do bairro Noroeste, a última área onde é permitido construir na capital federal. As principais incorporadoras brasilienses arremataram quase todos os lotes por 500 milhões de reais e devem criar ali um bairro de luxo, com apartamentos de alto padrão e metro quadrado vendido por não menos que 8 000 reais (valores encontrados apenas na Vila Nova Conceição, o bairro mais valorizado de São Paulo).
PECUÁRIA
A parceria foi para o brejo
Não convidem para o mesmo leilão o pecuarista Sylvio Propheta e o presidente da Nestlé, Ivan Zurita. Sócios havia três anos na AgHROZurita, empresa que organizava leilões milionários de gado e administrava um rebanho de cerca de 700 cabeças de gado nelore, os dois romperam recentemente. No primeiro fim de semana de fevereiro, cada um fará seu próprio leilão, separados, em uma exposição em Avaré, no interior paulista. No ano passado, no mesmo evento, o leilão da empresa de Zurita e Propheta levantou 11 milhões de reais e a AgHROZurita vendeu uma vaca por mais de 3 milhões de reais. Zurita diz que o motivo do rompimento foi "o conflito de gerações".
INFRAESTRUTURA
Um boulevard nas curvas da Rio-Santos
A área de transportes do governo de São Paulo, principal polo de projetos para reforçar a imagem do governador José Serra, virtual candidato à Presidência da República em 2010, não para de produzir novidades. Um dos projetos com potencial de grande visibilidade em gestação no momento é o de realizar uma série de obras para transformar o trecho paulista da rodovia Rio-Santos numa espécie de boulevard, isto é, uma pista ampla e ajardinada, para valorizar a paisagem de um dos mais belos trechos do litoral do país. Estudos já comprovaram que a estrada nos fins de semana transforma-se praticamente numa avenida, com intenso trânsito local de turistas leia-se também eleitores.
CRISE
Namoradas à beira de um ataque de nervos
A crise financeira mundial já provocou falências, suicídios e divórcios. E também foi a responsável pela criação de uma inusitada associação denominada Dating a Banker Anonymous (algo como "namoradas de banqueiros anônimas", numa referência à entidade de ajuda Alcoólicos Anônimos). As participantes são namoradas e ex-namoradas de homens que trabalham ou trabalhavam no mercado financeiro e, desde setembro, precisam aguentar o mau humor, a falta de carinho e, principalmente, a mão fechada de seus pares. Elas se reúnem periodicamente em bares de Nova York e contam suas desventuras no blog www.dabagirls.com, no qual se ajudam a superar a falta de convites para eventos estrelados e jantares nos melhores restaurantes da cidade.
MARKETING
Vantagem contra o patrocinador
O polêmico empresário sueco Johann Eliasch, famoso no Brasil por ter comprado uma imensa área da floresta Amazônica, não anda nada feliz com seu principal garoto-propaganda, o tenista sérvio Novak Djokovic. Estima-se que Eliasch, dono da marca de raquetes Head, tenha pago 2 milhões de dólares por luvas, além de um contrato de 1 milhão de dólares anuais com direito a bônus por resultados para que Djokovic trocasse sua Wilson por uma Head. A empresa até criou um modelo específico para o sérvio. Mas em seu primeiro torneio, em Brisbane, na Austrália, Djokovic perdeu na primeira rodada e culpou a raquete. Na sequência, foi eliminado precocemente no Aberto da Austrália, onde defendia o título conquistado em 2008 usando uma Wilson. Depois de um puxão de orelhas, mudou a ladainha: culpou o forte calor australiano. A Head não se pronunciou.
CURTAS
Hora das franquias
A onda de demissões provocada pela crise econômica tem sido boa para pelos menos um setor: o de franquias. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising, a procura por franquias dobrou nos dois últimos meses de 2008 na comparação com o período pré-crise. A maioria dos interessados é de profissionais qualificados que receberam rescisão contratual, não conseguem emprego e decidiram abrir uma lanchonete, escola ou loja de cosméticos.
Ônibus dos xeques
A gaúcha Marcopolo vai fornecer dez ônibus luxuosos para transportar xeques e oficiais dos Emirados Árabes Unidos. Cada ônibus custará 200 000 dólares, terá apenas 20 poltronas, metais banhados a ouro e equipamentos como seis televisores de LCD, cozinha completa e sistema térmico especial para dar conta do calor de mais de 40 graus na região. As entregas serão feitas até junho.