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Por Guilherme Fogaça | 05.02.2009 | 17h25

Revista EXAME -

BOLSA
Os minoritários no prejuízo - de novo
A compra de parte da Aracruz pela Votorantim Celulose e Papel promete gerar polêmica no campo da governança corporativa, como ocorreu em outras ocasiões, a exemplo da compra da AmBev pela Interbrew. Quem tem ações preferenciais da Aracruz será obrigado a vendê-las para a VCP por um preço 18% menor do que o do dia do anúncio da transação. Houve, é claro, um critério para o cálculo desse valor - foi uma média do preço da ação nos 45 dias anteriores ao anúncio da compra. O problema é que os acionistas não participaram da decisão. "A empresa que vai comprar a ação é que define o preço", diz Mauro Cunha, presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. A prática não é ilegal, mas é vista como pouco transparente. Quem se sentir prejudicado pode fazer uma reclamação à Comissão de Valores Mobiliários. O baixo preço oferecido pela VCP fez as ações preferenciais da Aracruz cair 25% de 20 de janeiro, data do anúncio da compra, até o fim do mês. Em tempo: no mesmo período, as ações ordinárias da empresa mais do que dobraram de valor. O motivo é que o preço oferecido pela VCP para comprar esses papéis é maior.

Veja o quadro

 
 

DIVIDENDOS
A fatia dos dividendos vai diminuir
Diante de um cenário econômico bem mais complicado, algumas empresas estão reduzindo o pagamento de dividendos. A Lojas Renner, por exemplo, anunciou em janeiro que vai distribuir apenas 25% de seu lucro na forma de dividendos neste ano - até 2008, o percentual era de 75%. Analistas de mercado estimam que a redução atinja também tradicionais pagadoras de dividendos, como as empresas de energia elétrica e saneamento.

 

ENTREVISTA
De olho nas empresas de construção
Alguns gestores de fundos começam a enxergar potencial nas ações do setor de construção civil. É o caso de André Lion, sócio responsável por renda variável da BRZ, braço da gestão da GP Investimentos.

O que há de positivo no setor de construção?
Algumas empresas desse setor vão começar a gerar caixa agora, ou seja, vão passar a receber pelos lançamentos que fizeram nos últimos anos. Isso ocorre porque o faturamento dessas companhias é peculiar. Elas gastam muitos recursos no lançamento dos empreendimentos, com os investimentos em marketing e a própria construção. Quando entregam a obra, recebem o capital que vai compensar esses gastos e gerar o retorno.

É hora de investir nessas ações?
De forma seletiva. Nossa aposta é a Rossi - não só porque a ação caiu demais (em 2008, a baixa foi de 83%), mas porque trata-se de uma empresa bem estabelecida e que tem liquidez na bolsa. Investir em papéis pouco negociados traz muitos riscos, ainda mais num ambiente de incertezas.


 

A AÇÃO - PETROBRAS
Vale a pena crescer mais?
Inicialmente considerado ambicioso demais, o recém-anunciado plano de investimento da Petrobras passou a ser visto como positivo pelos analistas. A meta da companhia é investir 174 bilhões de dólares até 2013. "A Petrobras está investindo enquanto a maioria dos concorrentes está parada e isso pode beneficiá-la na hora em que a demanda por petróleo se recuperar", diz Paula Kovarsky, analista da Itaú Corretora. Além disso, a estatal já informou que não vai executar o plano a qualquer custo: não vai se endividar demais e quer negociar preços com fornecedores. Das 13 corretoras que analisam o setor de petróleo, dez recomendam comprar o papel.



APOSENTADORIA
Na crise, a previdência avança
A crise pode ter levado alguns investidores a se preocupar mais com o futuro. Os planos brasileiros de previdência privada tiveram uma captação líquida de recursos (aplicações menos resgates) de 12,6 bilhões de reais em 2008, segundo levantamento feito a partir da base de dados da consultoria Quantum Axis. A empresa que mais captou recursos no período foi a BrasilPrev, braço de previdência do Banco do Brasil, com 3,6 bilhões de reais. "As pessoas estão usando esses planos não só para a aposentadoria, mas para economizar para algum projeto de longo prazo", diz Tarcísio Godoy, presidente da BrasilPrev. A vantagem da previdência privada em relação a outras aplicações é tributária: quem deixa o dinheiro aplicado por vários anos paga menos imposto de renda nesses planos do que em fundos de investimento.

 

FUNDOS
O retorno dos flats
Acredite: quem investiu no antes combalido mercado de flats no ano passado ganhou dinheiro. O único fundo imobiliário especializado nesse segmento, o Maxinvest, gerido pela Brazilian Mortgages, rendeu 10,5% em 2008. O desempenho foi só um pouco superior ao dos fundos DI - que, correndo menos risco, renderam cerca de 10%. Nos próximos meses, porém, pode ser que o DI fique mais para trás. Por dois motivos, explica Fernando Telles, diretor da corretora Coinvalores: "A recuperação do mercado de flats é consistente e a perspectiva é de queda dos juros, o que diminui o retorno do DI".

 
 
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